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COOPERATIVISMO, COMO?

Wilame Jansen *

Não é o cooperativismo nordestino que é frágil. A fragilidade está na agricultura familiar de subsistência que ele foi induzido a viabilizar. É por isso que ele tem sido frágil aqui, como o seria em qualquer parte do mundo.

Por muito tempo, acreditamos na falácia de que o Sul Maravilha tem organizações cooperativas fortes devido à cultura européia de seus agricultores, quando, na verdade, a fortaleza dessas organizações está na pujança de atividades econômicas como a da soja, do trigo, do café e da pecuária leiteira. As cooperativas de pequenos produtores do Paraná ou de Santa Catarina, que exploram culturas de subsistência, estas sim, são tão pobres, frágeis e dependentes do setor público quanto as nossas. E, ao contrário do que se apregoa, são exatamente estas últimas as que foram fundadas pelos brancos de origem européia.

O Recife, diante da crise do emprego, vem se destacando na formação de um crescente número de cooperativas de trabalho e de serviços, confirmando a sua vocação de cidade prestadora de serviços de excelência. São profissionais liberais que se organizam para a prestação de serviços múltiplos ou nas áreas especializadas de saúde, educação, informática, turismo, serviços médicos, habitação, crédito, eletrificação, dentre outros.

É esse "novo cooperativismo" pernambucano que, certamente, em pouco tempo, se destacará no cenário nacional, porque apoiado na produção intelectual das quatro universidades, dos institutos de pesquisas, dos núcleos culturais e artísticos e, sem dúvida, dos diversos pólos de serviços especializados já consolidados no Recife.

Os políticos pernambucanos já perceberam o potencial desse "novo cooperativismo" e procuram prestigiar as iniciativas do setor. A presença de parlamentares e executivos do setor público nos eventos promovidos pela OCEPE - Organização das Cooperativas de Pernambuco vem se registrando cada vez com maior freqüência. E o sinal mais evidente dessa aproximação foi a criação da FRENCOOP - Frente Parlamentar Cooperativista de Pernambuco, iniciativa que já começa vitoriosa, dada a participação superpartidária de 13 deputados estaduais fundadores da ONG.

Essa aproximação entre parlamentares e cooperativistas reflete a consciência de ambos sobre o momento atual, em que a "sociedade do emprego" entra em crise no mundo e abre caminhos na busca de novas formas de organização do trabalho. Neste momento, talvez seja mais importante para o cooperativismo relacionar-se com o legislativo do que com o próprio executivo, com o qual concorda em substituir as relações paternalistas pelas de parceria.

Há, por exemplo, uma questão que está merecendo a atenção das OCE's: a insuficiência e inadequação da legislação cooperativista brasileira no disciplinamento do novo cooperativismo, em função das mudanças que estão ocorrendo, principalmente no mundo do trabalho. A existência de pseudo-cooperativas é um fato, porém é apenas um dos aspectos da falta de clareza nas regras de funcionamento para o setor. Agora, com a FRENCOOP Nacional e as FRENCOOP's estaduais, espera-se que a questão cooperativista seja debatida a nível nacional e que o Projeto de Lei, há muito tempo "tramitando" no Congresso Nacional, entre finalmente em pauta.

* Wilame Jansen é Economista e Presidente da Âncora.

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